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| Boletim informativo do deputado Flavio Koutzii/PT (28), de 31 de julho de 2006. | ||
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Conjuntura Entrevista:
Dilma Rousseff, ministra-chefe da casa
civil Um dia depois da primeira visita do presidente Lula a Porto Alegre, na condição de candidato à reeleição, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, identificou ontem os três setores que considera as maiores promessas da economia gaúcha nos próximos anos: naval, microeletrônica, e biocombustíveis. Dilma voltou a protestar contra a interpretação de que seriam eleitoreiras as medidas anunciadas por ela para os setores moveleiro e de máquinas agrícolas, que coincidiram com a visita do presidente Lula ao Estado na última semana: - A idéia (da oposição) era de que nós ficaríamos imobilizados por causa da reeleição, mas não vamos nos deixar imobilizar e não deixaremos de governar porque o presidente é candidato. Gripada em conseqüência do frio que enfrentou no Rio Grande do Sul nos últimos três dias, a ministra conversou com Zero Hora ontem, durante uma hora e 30 minutos, no aeroporto Salgado Filho, enquanto aguardava um vôo de carreira para São Paulo, de onde seguiria para Brasília. A seguir a síntese da entrevista: Zero Hora - O que se pode esperar de investimentos para o Rio Grande do Sul em um eventual próximo governo? Dilma Rousseff - Eu sei que o Rio Grande do Sul está em crise, mas sei também que o Estado tem futuro. Tem uma parte que morreu ou vai morrer, tem uma parte que vai ficar um pouco menor, mas tem três que vão crescer muito: os setores naval, de biocombustível e de microeletrônica. ZH - Mas como fica a tradicional economia gaúcha? Dilma - Nós temos de dar força para os setores tradicionais do Rio Grande do Sul, e daremos, mas é fundamental dar força para estes três pólos nos próximos anos. ZH - De que maneira estes segmentos serão incentivados? Dilma - A indústria naval estava morta no Brasil. Criamos o Programa de Mobilização da Indústria de Petróleo e Gás, que obriga compras internas de navios, plataformas e equipamentos. No pólo de Rio Grande, estão produzindo a P-53, que tem valor de US$ 897 milhões e será feita inteiramente aqui e com componentes nacionais. Significa desenvolver um pólo de construção de plataformas, pois não vai ficar só na P-53: a Petrobras investirá, entre 2007 e 2010, US$ 87 bilhões (na área de produção e exploração de petróleo). Aqui no Estado temos também o dique seco, para manutenção e reforma de plataformas ou navios. E a Petrobras está fazendo prospecção na bacia de Pelotas e há indicações de que pode existir retorno positivo. ZH - A produção de biocombustíveis pode ser considerada uma alternativa para a crise na agricultura? Dilma - O pólo de biocombustíveis do Estado terá biodiesel e H-Bio. No último leilão aqui entraram 160 milhões de litros, sendo 70 milhões da BSBios, de Passo Fundo, 80 milhões da Brasil Biodiesel, de Rosário do Sul, e 10 milhões da Oleoplan, de Veranópolis. Ainda tem a Granol, de Cachoeira do Sul, que nos próximos leilões pode entrar. Quem produzir biodiesel com matéria-prima de agricultura familiar terá 68% de isenção tributária. ZH - Já existe definição sobre o H-Bio no Estado? Dilma - Em setembro, lançaremos na Refinaria Alberto Pasqualini o H-Bio (processo de adição de hidrogênio e biodiesel para purificação de diesel). Essas atividades livram os produtores da dependência do câmbio e dos importadores. ZH - A implantação da TV Digital no Brasil terá participação de empresas gaúchas? Dilma - A TV Digital abrirá uma série de oportunidades para as empresas gaúchas. Acredito que o Estado tem uma enorme vocação para isto, até porque nós investimos aqui R$ 149 milhões no Ceitec (Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada). ZH - Já houve contatos com empresas gaúchas? Dilma - Qualquer empresa gaúcha que se interessar poderá integrar o fórum de discussão da TV Digital. A Altus é um exemplo de empresa que se interessou, então convidamos. ZH - O fato de a senhora ter anunciado benefícios aos setores moveleiro e de máquinas agrícolas na véspera da visita do presidente foi interpretada como uma estratégia eleitoreira. Como responde a essas críticas? Dilma - Estamos em uma situação complicada, qualquer coisa que se fizer será chamada de eleitoreira. Mas não é todo mundo que diz. Em uma semana, anunciamos pacote cambial, automotivo, para moveleiros e máquinas agrícolas. Por que só os dois últimos são chamados de eleitoreiros e os outros dois não? Por que não falaram isto em São Paulo na quinta-feira, quando o presidente esteve lá? Só aqui falaram. As medidas não são eleitoreiras. Não vamos deixar de governar porque o presidente é candidato. ZH - As linhas de financiamento para segmentos específicos podem ser estendidas para outras indústrias? Dilma - Nós temos uma pauta com a Fiergs (Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul) com itens que vamos equacionando aos poucos. Aliás, o presidente da entidade Paulo Tigre tem tido conosco uma das melhores relações possíveis, tem sido muito presente. Eu falei para ele que recebia diversas entidades empresariais do Brasil e que não aparecia ninguém do Rio Grande do Sul. Como o Tigre é uma pessoa muito objetiva, estamos criando uma ótima relação. Atendendo à solicitação da Fiergs nós conseguimos montar o FAT Giro Setorial, inicialmente só para calçadistas. ZH - Foi sugerido sua extensão para outros setores? Dilma - Quando vim aqui fazer o anúncio para os calçadistas, um representante do setor de máquinas pediu que fosse estendida a linha para eles, e o pessoal dos moveleiros solicitou aqui e em Santa Catarina. Discutimos uma política específica para estes setores, porque são intensivos em mão-de-obra e estavam com problemas. ZH - Quais seriam as prioridades econômicas em caso de um segundo mandato? Dilma - A gente tem de governar para todos. A síntese do nosso governo seria mostrar que é possível crescer com taxas acima de 4% sistematicamente e, ao mesmo tempo, ter uma política clara de distribuição de renda. Queremos estabilidade econômica, manter o ritmo de criação de vagas e a inflação baixa. De todas as áreas, as que eu quero me deter são infra-estrutura, logística e energia. ZH - A senhora sempre defendeu solução de mercado para Varig. O desfecho agradou? Dilma - Se fosse antes poderia ter sido melhor, mas antes o pessoal da Fundação Ruben Berta não quis solução nenhuma. Esperamos que dê certo, a gente acredita que há margem para crescer, o setor não está em crise, pelo contrário, está crescendo a taxas de 15%. De janeiro a junho foi ainda maior, cerca de 30%. Por isso, acho que os trabalhadores da Varig têm chance dentro e fora da Varig. ZH -Mas ministra foram 5,5 mil demitidos que, agora, estão solicitando mais parcelas do seguro-desemprego. Dilma - Obviamente o que puder ser feito para melhorar a situação deles, vamos fazer, mas o que eu estou dizendo para vocês é que jamais nos procuraram falando nesta questão, pelo menos a mim nunca procuraram. |
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