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| Boletim informativo do deputado Flavio Koutzii/PT (43), 18 de outubro de 2006. | ||
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O Deputado Raul Pont, no período do grande expediente apresentou denúncia sobre o comportamento dos meios de comunicação, bombardeando dia e noite quando o alvo é o PT e silenciando quando as irregularidades são de outros. Trata-se de investigação em curso sobre o desvio de dinheiro público na vizinha Santa Catarina, envolvendo cifra superior à do "dossiê Cuiabá". O que o deputado Raul Pont fez, durante o grande expediente, foi informar que houve um escândalo gigantesco, apurado pelas autoridades competentes, na vizinha Santa Catarina, aonde se chega facilmente pela BR-101, e aqui não se fala sobre isso. Qual foi o tema central do discurso do deputado Raul Pont? S. Exa. não inventou uma ficção sobre um ato grave e pesado que envolve milhões e milhões de reais em corrupção. O centro de sua fala, que é também a minha, foi este: há dois pesos e duas medidas. O deputado disse que o que está errado tem de ser absolutamente investigado e condenado. Ninguém veio aqui tapar o sol com a peneira. Há um período eleitoral, e exatamente o que aconteceu? Subi a esta tribuna e usei uma palavra pesada na política, dizendo que, frente ao "dossiê Cuiabá", iniciou-se uma dinâmica golpista. Romperam-se as regras da eleição, e a imprensa nacional e as instituições nacionais, com o Presidente do Tribunal Superior Eleitoral puxando o bloco, resolveram fazer uma operação para desconstituir uma vitória que parecia absolutamente consolidada. Eles têm o direito político de fazê-lo, mas o método que utilizam temos o direito político de julgar. Para minha surpresa, encontrei um texto publicado ontem – do Paulo Henrique Amorim, grande jornalista que foi da Globo e hoje está em outra rede – que leva este título: "O 1º golpe de estado já houve. E o 2º?" Não fui eu, suspeito deputado do PT, que escrevi isso, mas o Paulo Henrique Amorim, cronista político independente. É disto que se trata: há dois pesos e duas medidas, e é inequívoco o papel da grande imprensa nacional e dos órgãos que fazem a cabeça do povo brasileiro – a Rede Globo sobre todos. Já falei aqui do encanto dos grandes – Pedro Bial, William Bonner e Fátima Bernardes –, que falam para 80 milhões de pessoas. Eles dão o tom, a insinuação, o conteúdo, e é claro que qualquer um de nós sabe que, numa sociedade multimídia e com essa capacidade de informação, isso decide as coisas. As questões do dossiê Cuiabá e do dinheiro têm de ser investigadas, pois 700 ambulâncias são do período do governo anterior. Mas esse assunto não existe, é apenas escada para atacar o PT. A unificação da grande mídia brasileira tem como forma emblemática a capa da Folha de S.Paulo, que deverá passar para a história, em que aparece a foto do dinheiro na parte superior e, embaixo, a foto do Lula, usando um capuz que lhe caía sobre os olhos, no comício de São Bernardo. A montagem faz parecer que está sendo levado preso! Não somos inocentes. Os meios de comunicação passam imagens, passam símbolos e tentam passar meta-mensagens, quando não mensagens explícitas. Os dados divulgados pelo Observatório da Imprensa, relativos à última semana que antecedeu à eleição, mostram como se comportaram os principais jornais brasileiros. A Lula, candidato, foram dedicadas 227 matérias negativas, apenas 17 contra Alckmin. Lula, Presidente, recebeu mais 31 reportagens negativas e só 10 positivas. Com isto, foram 257 matérias negativas no espaço de uma semana. Os números – que não foram contabilizados pelo deputado Raul Pont, mas pelo Observatório da Imprensa conduzido por Alberto Dines, um dos mais independentes, qualificados e experientes jornalistas do Brasil – mostram que é cinco por um contra, nos melhores dias para nós. Há regras e leis para equilibrar as oportunidades, tanto nos debates quanto nos períodos do horário gratuito, mas todos se fazem de loucos, como se não houvesse uma campanha dentro da campanha, que é a campanha da Globo, que é a campanha da Folha de S.Paulo, que é campanha do Estadão (jornal O Estado de São Paulo), que não se submetem a essas regras. Ninguém veio dizer aqui que não aconteceu o que aconteceu. Estamos dizendo, e parece que o povo brasileiro está percebendo isso, que aconteceram muitas outras coisas. A revista Carta Capital, traz reportagem do competente jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, uma matéria investigativa, que mostra que esse delegado - militante da causa que ele quiser - chamou quatro jornalistas e explicou o que queria quando da entrega das fotos. Ele disse isto: "Tem de sair no ‘Jornal Nacional’ desta noite".
Sobre o caso do caseiro, havia um tipo de avaliação. Com
relação ao delegado da Polícia Federal, ninguém
lembra o papel com o qual ele está jogando desde dentro da instituição,
por conta própria. Ele pediu e exigiu que saísse no Jornal
Nacional. Essa conversa foi gravada, levada à direção
de jornalismo da Globo, onde se fizeram de loucos e omitiram da opinião
pública informações relevantes. A decisão
foi da alta cúpula da emissora. Se divulgasse o conteúdo
exato das duas informações, a Globo estaria mostrando que
o delegado queria usar a emissora para os claros fins políticos
que desejava e que a emissora tinha feito a sua parte. O que escancara
a parcialidade da rede Globo e sua influência nociva ao processo
eleitoral brasileiro. |
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