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| Boletim informativo do deputado Flavio Koutzii/PT (47), 23 de outubro de 2006. | ||
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Reitores, professores e artistas rompem o silêncio do qual chegaram a ser acusados pela mídia conservadora tempos atrás, e lançam manifestos e dão declarações de apoio à Lula na reta final do segundo turno. Sintomaticamente, a mesma mídia que antes ironizava o suposto silêncio progressista agora é quem emudece.
Meu Amigo Saul Leblon me envia mais uma missiva: "Nos últimos dias intensificou-se a mobilização de inúmeros setores intelectuais para barrar o "risco-Alckmin" de recondução do conservadorismo tucano ao poder, conforme mostrou Carta Maior com a reportagem "Meio acadêmico vê onda de manifestações contra Geraldo Alckmin". Reitores, professores e artistas rompem o silêncio do qual chegaram a ser acusados pela mídia conservadora tempos atrás, e lançam manifestos e dão declarações de apoio à Lula na reta final do segundo turno. Sintomaticamente, a mesma mídia que antes ironizava o suposto silêncio progressista agora é quem emudece. Jornais, repórtes especiais e colunistas ignoram declarações de personagens antes frequentemente requeridos para adicionar tempero gauche à escalada crítica contra o governo e o PT. Ao optarem dignamente pela formação de uma histórica frente de esquerda contra a candidatura da direita, a mídia dispensa-se de ouví-los. Não argüi as razões progressistas dessa decisão. Ignora a reflexão dos marxistas sobre o risco-tucano (leia entrevista com Chico de Oliveira "Agora eu voto em Lula") É a new-isenção. A volta do manual de redação conservador ao qual sucessivas gerações midiáticas recorrem quando se trata de optar entre povo ou elite, direita ou esquerda. Às favas o figurino clean. Abaixo o enfado pós-moderno. O porrete da luta de classes está de volta. E gira nas redações para impor ordem unida às manchetes, fotos, definições de espaços, hierarquias de chamadas e "esforços de reportagem". Veja, Flávio, a manchete do Estadão no sábado: "Assessor de Lula foi o mentor do dossiê, diz PF". O relatório parcial da PF - que esvaziou em parte o carreiro de denúncias que se anunciava para o fim de semana - diz que o responsável foi Jorge Lorenzetti, até então largamente tratado como "churrasqueiro", ou "amigo", de Lula. Quem era insistentemente chamado de "assessor" era Freud Godoy, que o relatório sequer menciona. Lindo, não, esse jornalismo: com uma só paulada quer-se atingir dois, ou três: Jorge, Freud e, é claro, Lula. De forma explícita ou implícita, dita à boca pequena ou com a boca cheia de preconceito a orientação é uma só: destruir a esquerda. Desmoralizar seus representantes. Denegrir suas biografias. Custe o que custar. Deu certo em 1964. Em 1989 também, com a reedição "isenta" do debate Lula/Collor feita pela Globo. Quase funcionou para surrupiar a vitória de Brizola no Rio de Janeiro, no primeiro pleito pós-redemocratização. E foi exitosa no primeiro turno destas eleições, ao esconder a endogâmica associação entre a imprensa e o delegado Edmilson Pereira Bruno, na operação midiático-policial que divulgou as fotos do dinheiro do dossiê Serra/Vedoin - 48 horas antes da votação. Veja-se, a respeito, as precisas reportagens de Raimundo Pereria em Carta Capital, a anterior e a desta semana (onde, inclusive, corrige a informação de que o repórter César Tralli, da Globo, teria recebido antes o cd com as fotos. A informação correta inocenta Tralli, mas não a Globo). Como nos bons tempos, a new-isenção jogou pesado neste episódio. Na edição do dia 29 de setembro o Jornal Nacional não hesitou. Omitiu qualquer menção ao maior desastre da história da aviação brasileira, o desaparecimento do Boeing da Gol, com 155 passageiros à bordo, que o Jornal da Band havia noticiado, já como um acidente confirmado, minutos antes de o JN entrar no ar, às 20 hs. A regra do porrete se sobrepôs à hierarquia dos fatos: 155 passageiros desaparecidos desde às 17 horas? É muito para dividir a emoção do telespectador numa noite só. Adie-se o desastre aéreo a bem da ênfase nas imagens do dinheiro. Assim se fez. Assim se faz. Cumpriu-se a orientação expressa do delegado-editor Edmilson Bruno na tarde daquele dia "..tem que sair no Jornal Nacional". Até aí, estamos no previsível. Porém, há uma novidade com a qual o manual de redação conservador não contava: a capilaridade e a repercussão da Internet nestas eleições. De repente, Flávio, aquilo de que tanto já se falou, em tese e desejo, materializou-se numa nova fronteira da liberdade de imprensa no país. Uma rede infomal de sites, blogs, posts etc encarou o porrete conservador de frente; deu-lhe nome e sobrenome. Enquadrou-o num lado da disputa política. Subtraiu-lhe o auto-concedido apanágio da isenção. E o fez com o melhor argumento possível: divulgando o que ele suprime. E o alcance não é pequeno: dados do Ibope dizem que, se em 2000 havia quase 10 milhões de usuários da internet no Brasil; hoje são 21 milhões. Se levarmos em conta que o boca a boca continua sendo o meio de informação mais confiável no país, e que cada internauta dispões de pelo menos quatro pares de orelhas ao seu alcance, o número se potencia enormememente, chegando a potenciais 100 milhões de "alcançáveis". É cedo para dizer que a vida nunca mais será a mesma para os auto-declarados donos da narrativa do país. Mas, sem dúvida, o futuro do monopólio midiático - intocado legalmente - ficou comprometido na prática. A trinca aberta na resistência das últimas semanas entusiasma diariamente milhões de novos pés a forçarem a fresta da porta para ampliar o espaço da liberdade de imprensa no país. Já há troféus a comemorar. E não desprezíveis. O complô do vazamento das fotos do dinheiro, desmascarado pela revista Carta Capital, foi abafado pelos jornalões num primeiro momento. Mas a repercussão na Internet tornou-se insuportável e obrigou aqui e ali a se romper o silêncio envergonhado de colunistas e jornais, muitos deles acossados por cartas de leitores indignados. Nas redações há certo pejo. Misturado a nojo. Reina crescente desconforto no papel de coadjuvantes de golpistas ao qual repórteres têm sido obrigados a atuar. O clima não é bom. Aqui e ali chefias se colocam na defensiva. E chefões globais têm de vir a público prestar esclarecimentos rotos, numa tentativa inusitada de resgatar as aparências para efeito externo, mas principalmente interno. A nova fronteira da liberdade de imprensa tem sido bem sucedida também em avançar sobre outro estirão do muro de silêncio. Aquele que ainda resiste em repercutir a histórica formação de uma frente única de esquerda de apoio a Lula. Um fato político articulado em grande parte no espaço digital que desconcertou os jornalões na sua obstinada tentativa de, agora sim, impor o silêncio aos intelectuais. Até quando resistirão a essa nova pauta? Depende. Em primeiro lugar, da capacidade de irradiação dessa frente na Internet e, depois, da ampliação das adesões a ela. Leia à proposito - e divulgue -, o manifesto de Reitores do Brasil de apoio à política educacional de Lula. Se ainda não leu, não deixe de conferir em Carta Maior a reportagem "Meio acadêmico vê onda de manifestações contra Geraldo Alckmin" e a entrevista histórica do sociólogo Chico de Oliveira ("Agora eu voto em Lula"). Muito interessante também o texto de Paulo Henrique Amorim, COMO GOVERNAR QUANDO TODA A IMPRENSA É CONTRA, postado no seu blog em que discute o papel da Internet na refundação da liberdade de imprensa no Brasil. É isso aí, Flávio. Eu previra a quantidade de lixo e ódio que viria à tona até o fim da eleição. Os petistas envolvidos em ilícitos deram munição à corja; mas o que se destila das páginas e blogues conservadores é puro ódio ideológico e de classe, com ou sem gelo. Teu amigo, Leblon". Manifesto de Reitores Atendendo à sugestão de Leblon, reproduzimos aqui o início do manifesto dos reitores à nação brasileira: "Num momento crucial para o país, os dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) abaixo assinados, vêm a público manifestar sua preocupação quanto ao futuro da educação superior brasileira. Posicionamo-nos para que não se interrompa a trajetória recente de investimentos na expansão e qualificação de nossas Universidades públicas, patrimônio nacional. Este é um ato de cidadania. Em respeito ao direito dos brasileiros de todas as regiões do país, não podemos admitir qualquer possibilidade de retrocesso nas conquistas dos últimos anos. Não aceitaremos o retorno de situações como a que predominou no passado recente, quando, na contramão da história, os orçamentos das IFES despencaram em 25%, relativamente aos seus valores históricos, com o sucateamento correspondente do parque universitário público, e o setor privado de ensino hipertrofiou-se, atingindo quase 80 % das matrículas".
Seguem-se as assinaturas de 36 reitores de universidades federais brasileiras. |
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