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| Boletim informativo do deputado Flavio Koutzii/PT (50), 26 de outubro de 2006. | ||
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Se nenhum cataclismo ocorrer até domingo, Lula baterá Alckmin por mais de 22 pontos de diferença. Por que um candidato dado como quase derrotado pela imprensa há 3 semanas subiu tão rapidamente? A resposta pode estar à esquerda...
SÃO PAULO – Na noite de terça-feira (24), o Datafolha divulgou dois números definitivos: Lula 61%, Alckmin 39%. Com 22 pontos percentuais de diferença entre os candidatos, tendendo a aumentar, a peleja está decidida, caso céus e terras não se movam (no Brasil, tudo pode acontecer, inclusive nada, como lembrava o Barão de Itararé). Colunistas da grande imprensa, que não esconderam suas preferências para com o candidato tucano, jogaram a toalha nos últimos dias. Até mesmo Arnaldo Jabor, o "rebelde a favor", na definição do cartunista Jaguar, sentenciou: "Dia 29, Lula deverá ser reeleito. Favas contadas". Qual o mistério de um candidato que, mesmo tendo alcançado 48,7% no primeiro turno, era apresentado em 2 de outubro como virtual derrotado? Qual o segredo destas eleições, cuja grande surpresa foi não haver surpresas? Cuja grande virada, como muitos esperavam, foi não ter havido virada alguma? O terreno da política Longos debates se seguirão ao 29 de outubro para se avaliar o ocorrido. Mas a mudança tática feita pelo candidato petista nas últimas semanas é digna de nota. A disputa realizada até 1º. de outubro, pautada pela marquetagem e por querelas para se saber se teríamos "choque de gestão" ou "choque de ética" mudou de patamar. Adentramos agora o sacrossanto terreno da política, o que é uma bênção para o país. Lula conseguiu mudar a lógica do moralismo duvidoso de Geraldo Alckmin – o mesmo que bloqueou 69 CPIs na Assembléia Legislativa de São Paulo – através do questionamento das privatizações da era tucana. Ao invés do campeonato para ver quem é mais ladrão, algo de responsabilidade do Ministério Público, da Polícia Federal e da Justiça -, tivemos o início de um enfrentamento sobre concepções de Estado e da esfera pública. Não é pouco, não é pouco! Tudo indica que Lula cresceu por mover-se para a esquerda, por colocar mais claramente que não tentará esmagar aspirações justas dos países vizinhos, como a Bolívia, por declarar não baixar a cabeça para os Estados Unidos e por se colocar ao lado dos que lutam por mais Justiça. Pode ser que o segundo mandato não materialize estas premissas, caso não haja muita pressão a partir de baixo. Mas elas estão plasmadas na consciência popular. Lula cresce entre os eleitores de Heloísa Helena, entre os que desejam um governo melhor que o atual. E Alckmin cai por aparecer como um produto das elites endinheiradas. O corte de classe indicado pelas pesquisas é algo inédito na cena brasileira. É bom Lula olhar com carinho para isso. Resta saber se ele estará à altura desse desafio num possível segundo mandato.
Repetindo: se nenhum cataclismo acontecer até domingo... |
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