| "NADA
É TÃO RUIM QUE NÃO POSSA PIORAR"
Relatório
do TCE confirma: governo Rigotto em 2005 foi ainda pior!
Desde o primeiro dia do governo Rigotto tivemos um olhar atento
e crítico sobre suas políticas, ações
e omissões. No primeiro biênio, (2003/2004), assinalamos
o abandono de importantes programas, a queda da receita do ICMS,
que, combinada com o crescimento do custeio exceto pessoal, resultou
em desequilíbrio fiscal. Criticamos o fim do Orçamento
Participativo, o descumprimento da aplicação dos
mínimos constitucionalmente fixados em lei na educação
e na saúde, o desmonte da área da segurança
pública, a política de arrocho salarial, os atrasos
do pagamento ao funcionalismo e o 13º realizado através
de empréstimo no Banrisul.
Registramos
– na condição de membro da Comissão
de Finanças e Orçamento da Assembléia –
as freqüentes "maquiagens" do orçamento
estadual, pela inclusão de receitas "virtuais",
ou seja, que não têm nenhuma possibilidade de se
realizar (empréstimos internacionais, por ex.) ou a superestimação
de transferências da União. Truque velho: coloca-se
na lei orçamentária recursos que se sabe que não
vêm e, depois joga-se a culpa no Governo Federal. O Relatório
do TCE registra o fato sob o título "déficits
ocultos", observando: "o orçamento de 2005 foi
elaborado com um déficit oculto mínimo de 1,441
bilhão, tomando-se como base apenas a superestimação
da receita, especialmente as esperadas do Governo Federal".
Também
não poderíamos deixar de lembrar o melancólico
final do exercício de 2004, quando foi aprovado, ao "apagar
das luzes", às pressas, sem nenhuma discussão
com a sociedade, o maior "tarifaço" da história
deste Estado.
Dois
anos lamentáveis, que nos levaram a pensar que chegáramos
ao "fundo do poço". Pois pasmem, 2005 foi ainda
pior. Registramos isso em inúmeros artigos, intervenções
na tribuna e entrevistas ao longo do ano passado. Agora o TCE
publica relatório, depois de exaustiva análise da
sua qualificada e insuspeita equipe técnica, que confirma
plenamente o que afirmávamos. O que leva à conclusão
de que o desempenho do governo Rigotto em 2005 foi ainda pior!
Vamos
aos fatos, comentários e números do Relatório.
Na
primeira página, observa-se que a receita do ICMS cresceu
11,4% no exercício, sendo o aumento das alíquotas
sobre energia elétrica, combustíveis e serviços
de telecomunicações o principal fator que concorreu
para este resultado. A arrecadação tributária
do Estado atingiu 8,27% do PIB, representando um acréscimo
de um ponto percentual em relação a 2004. Enquanto
isto a economia gaúcha teve uma redução de
4,8% no seu PIB. Constrangedor para um governo que se elegeu afirmando
que não aumentaria impostos e o fez justamente no momento
mais inoportuno, num ano de crise da agricultura e da indústria
gaúcha. Aliás, governo que penalizou, também,
os setores exportadores com a retenção ilegal dos
seus créditos, que hoje montam 1,5 bilhões de reais.
Entre
2003 e 2005 o número total de matrículas da Administração
Estadual diminuiu cerca de 1% (menos 2.152 matrículas).
Como o número de servidores inativos cresce a cada ano
que passa, fica claro que o número de ativos diminuiu bem
mais do que 1%. Enquanto a população cresce, o número
de servidores ativos cai, com reflexos negativos sobre o volume
e a qualidade dos serviços prestados.
A
área da segurança pública foi particularmente
afetada pela carência e redução do efetivo
de pessoal. A despesa com pessoal e encargos da Secretaria de
Segurança em 2005 diminuiu 19,1% em relação
a 2001. O número de policiais civis e militares diminuiu
em 2005: 173 servidores a menos em relação a 2004
na Polícia Civil; 364 policiais militares a menos na Brigada
Militar. O TCE registra que no exercício, a população
do Estado cresceu 1,11%. A Brigada Militar tem 34% do seu quadro
de pessoal vago, a Polícia Civil 41%, a SUSEPE 45% e o
Instituto Geral de Perícias 60%. O investimento em segurança
caiu, também sensivelmente: atingira 5,06% do orçamento
da Secretaria em 2001 e foi de apenas 3,06% em 2005 (queda de
40% na participação).
Sobre
as ações na área dos transportes, registra
o Relatório: "as despesas liquidadas em 2005 foram
apenas 2,5% da despesa total do Estado, representando o menor
índice de investimento em infra-estrutura de transporte
dos últimos cinco anos." E o Relatório vai
além: persistem em 2005, no DAER, as práticas de
2003 e 2004 de "contratar, iniciar e paralisar obras, levando
à dispersão dos recursos e à ineficácia
na sua aplicação". Ou seja: a falta de recursos
é agravada pela ineficiência na sua aplicação
e pelo mau gerenciamento.
Repetiu-se
e aprofundou-se em 2005 o déficit com a educação
e com a saúde pública. Na Manutenção
e Desenvolvimento do Ensino, a Constituição Estadual
estabelece o mínimo de 35% da Receita Líquida de
Impostos e Transferências: foram aplicados apenas 29,55%,
ou seja, 578 milhões a menos. Na saúde, a lei determina
12% mas foram destinados menos da metade, 5,7%, ou seja, 668 milhões
a menos. Significa que só em 2005 o governo Rigotto deixou
de aplicar em dois setores essenciais 1,25 bilhão de reais.
O
Estado não disponibilizou, também, recursos para
o Ensino Superior Comunitário: a Constituição
determina a aplicação de 0,5% da Receita Líquida
de Impostos Próprios mas não foi empenhado nenhum
real. Com relação às ações
de Fomento à Educação e à Pesquisa
Científica e Tecnológica, dos 118,5 milhões
que a lei determina foram empenhados apenas 22,2 milhões,
cinco vezes menos.
Com
relação aos precatórios judiciais pagou-se
em 2005 apenas 1% do estoque, o que não se constitui novidade.
O que torna evidente o "jogo de cena", o repetitivo
"faz de conta" deste governo é o fato de que
foram empenhados no exercício 264,9 milhões, mas
efetivamente pagos apenas 15 milhões!
Em
compensação, Rigotto gastou 130 milhões em
Publicidade e deixou de arrecadar 414 milhões, transferidos
a poucas e grandes empresas via FUNDOPEM. Não há
nenhuma dúvida sobre quais são as escolhas e prioridades
desse governo.
Ao
concluir, cumpre lembrar que dos quase 70 milhões de reais
gastos em publicidade pelas empresas estatais, na quase totalidade
realizados irregularmente, menos de 7% correspondeu à publicidade
obrigatória. Claro fica que, quando faltam ações
e sobram omissões, exagera-se na propaganda.
O
fim das transferências do FUNDOPEM e a drástica redução
dos gastos com publicidade poderiam diminuir em valores próximos
a 500 milhões de reais o elevado déficit orçamentário
de 2005 (741 milhões, pelo critério "despesa
liquidada").
Vê-se
que o desequilíbrio fiscal do Estado não é
obra do acaso: tem sua origem na repetição de políticas
e decisões equivocadas de governos como o atual, que se
movem na lógica de defesa dos interesses privados.
Assustados
com o péssimo desempenho do governo Rigotto, o PMDB e seus
aliados tiveram que recorrer a um disfarce: propuseram, em junho
deste ano, o "Pacto pelo Rio Grande", cujo objetivo
principal era a absolvição da atual administração.
Analisando as 25 propostas dali resultantes, verificamos que,
ironicamente, são a condenação implícita
da gestão Rigotto. Trata-se de uma lista do que o governo
deveria fazer e não fez: estabilizar gastos, diminuir as
desigualdades salariais do funcionalismo, criar teto salarial,
combater a sonegação, diminuir os benefícios
fiscais para aumentar a receita sem "tarifaço",
investir em programas de geração de emprego e renda,
dentre outras.
O
pacto, criado pela base governista para diluir as responsabilidades
do PMDB sobre a crise das finanças estaduais, transformou-se
num "tiro no pé": as principais propostas consagram
a postura do governo da Frente Popular (1999-2002) e a trajetória
de 20 anos da bancada do PT na Assembléia.
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