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ORÇAMENTO 2007: PRIMEIRO COMO TRAGÉDIA, SEGUNDO
COMO FARSA, TERCEIRO COMO DEBOCHE
Parafraseando a célebre e usada expressão que a
história acontece primeiro como tragédia e depois
como farsa, neste caso do orçamento proposto para 2007,
a terceira é, sem dúvida como deboche.
A
proposta orçamentária para 2007 não traz
nenhuma novidade: é a surrada repetição dos
velhos truques, já utilizados por esse governo em anos
anteriores para tentar ocultar suas omissões e fracassos.
Reajuste zero para o funcionalismo estadual, aumento das renúncias
de ICMS, entenda-se benefícios ainda maiores para as grandes
empresas, evidenciam, uma vez mais, as opções e
prioridades. Repete-se a prática de colocar no orçamento
transferências da União que são superestimadas
ou que não vêm porque não tem base legal.
Faz-se, assim, a demarcação política e depois
fabrica-se uma versão que culpa a União. O aumento
despropositado das despesas de custeio, de 29,7% em relação
ao realizado em 2005, mostra o descontrole dos gastos de um governo
perdulário, que contrata consultorias a peso de ouro e
vende o falso discurso da economia e da parcimônia. Há
inconsistência e contradições evidentes: superestima-se,
por exemplo, as duas principais fontes de receitas próprias
– o ICMS e o IPVA e reduz-se a estimativa do valor de juros
do serviço da dívida, que está vinculado
ao desempenho da arrecadação. Perguntamos: a previsão
da receita do ICMS e do IPVA está exagerada, superestimada
ou o governo subestimou os valores a pagar da dívida para
ocultar o déficit? A proposta prevê um crescimento
de 9,3% na receita do ICMS. Como explicar este crescimento, real,
acima da inflação se as alíquotas do "tarifaço"
só vigem até 31 de dezembro próximo? Das
duas uma: ou o governo Rigotto usa mais este artifício
para ocultar o déficit, ou na hipótese improvável
de sua reeleição, pretende prorrogar o "tarifaço"?
Já o IPVA foi estimado com um crescimento de 20% em relação
ao orçado este ano o que é surpreendente já
que a inflação projetada para 2006 não atinge
os 5%. Teremos aí um novo "tarifaço",
desta vez penalizando os proprietários de veículos
automotores?
O
investimento proposto, de 953 milhões é, também,
irreal, muito superior ao nível de execução
deste ano e dos 527 milhões investidos em 2005. Não
há nenhuma dúvida que o governo atual superavalia
a capacidade de investimento que deixará para o próximo
governo.
No
que diz respeito à Consulta Popular, a cada ano que passa
perde espaço no orçamento: de pouco mais de 2% em
2004, propõe-se apenas 0,51% da despesa total do orçamento
em 2007. Os números propostos confirmam o que a nossa bancada
tem reiterado com insistência: a participação
popular não é prioridade no governo Rigotto.
Fizemos a denúncia, na tribuna, através de artigos
ou de análises da execução e das propostas
orçamentárias de anos anteriores, do verdadeiro
"desmonte" de importantes programas nas áreas
econômica e social desenvolvidos pelo governo anterior.
Foram drasticamente reduzidos ou extintos o "Primeiro Emprego",
o "Economia Solidária", o de fortalecimento dos
"Sistemas Locais de Produção", o "Família
Cidadã" e o "Coletivos de Trabalho", para
citar alguns exemplos apenas. No ano passado, sob alegação
de realizar "ajustes de metas", o governo enviou à
Assembléia um projeto de lei, aprovado pela sua maioria
parlamentar, que reduziu, também, de forma significativa,
importantes metas de programas sociais do seu próprio PPA
2004/2007. Mas, tudo isso não foi o suficiente. Na sua
proposta orçamentária de 2007 Rigotto diminui ainda
mais investimentos em áreas essenciais. Recursos absolutamente
insuficientes, sofrem nova redução. São 11
milhões a menos para a Reforma Agrária, 35% a menos
do já insuficiente valor orçado em 2006. Na habitação
urbana, 7 milhões a menos e na habitação
rural, um corte de 74%, reduzindo-se o montante proposto para
ridículos 2 milhões de reais. Mais um típico
exemplo de um governo do "faz de conta".
Esta
proposta orçamentária registra os momentos finais
de uma administração desastrada, que nada fez para
recuperar as finanças do Estado, de modo a criar condições
melhores de atendimento das necessidades daqueles que mais precisam:
a grande maioria da população. É o documento
que registra o melancólico fim de um governo que, descumprindo
a Constituição, deixou de aplicar bilhões
e bilhões na educação e na saúde pública,
mas foi generoso com as grandes empresas, a quem concedeu 5 bilhões
em incentivos fiscais.
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