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O
que está em jogo
Reproduzimos hoje texto de Emir Sader publicado em seu blog no
site da Agência Carta Maior (www.agenciacartamaior.com.br),
em 02/10/2006.
Flavio
Koutzii
O
que está em jogo no segundo turno não é apenas
se a Petrobrás vai ser privatizada – como afirma
o assessor de Alckmin, Mendonça de Barros à revista
Exame – e, com ela, o Banco do Brasil, a Caixa Economia
Federal, a Eletrobrás.
O que está em jogo no segundo turno não é
apenas se os movimentos sociais voltarão a ser criminalizados
e reprimidos pelo governo federal.
O que está em jogo no segundo turno não é
apenas se o Brasil seguirá privilegiando sua política
externa de alianças com a Argentina, a Bolívia,
a Venezuela, o Uruguai, Cuba, assim como os países do Sul
do mundo, ao invés da subordinação à
política dos EUA.
O que está em jogo no segundo turno não é
apenas se retornará a política de privataria na
educação.
O que está em jogo no segundo turno não é
apenas se a política cultural será centrada no financiamento
privado.
O que está em jogo no segundo turno não é
apenas se teremos menos ou mais empregos precários, menos
ou mais empregos com carteira de trabalho.
O que está em jogo no segundo turno não é
apenas se haverá mais ou menos investimentos públicos
em áreas como energia, comunicações, rodovias,
saneamento básico, educação, saúde,
cultura.
O que está em jogo no segundo turno não é
apenas se seguiremos diminuindo as desigualdades no Brasil mediante
políticas sociais redistributivas – micro-crédito,
aumento do poder aquisitivo real do salário mínimo,
diminuição do preço dos produtos da cesta
básica, bolsa-família, eletrificação
rural, entre outros – ou se voltaremos às políticas
tucano-pefelistas do governo FHC.
O que está em jogo no segundo turno é tudo isso
– o que, por si só, é de uma enorme proporção
e já faz diferença entre os dois candidatos. O que
está sobre tudo em jogo nos segundo turno é a inserção
internacional do Brasil, com conseqüências diretas
para o destino futuro do país.
Com Lula se manterá a política que privilegia a
integração regional e as alianças Sul/Sul,
que se opõem à Alca em favor do Mercosul. Com Alckmin
se privilegiariam as políticas de livre comércio:
Alca, assinatura de Tratado de Livre Comércio com os EUA,
isolamento da Alba, debilitamento do Mercosul, da Comunidade Sul-Americana,
das alianças com a África do Sul e a Índia,
o Grupo dos 20.
O que está em jogo no segundo turno é a definição
sobre se o Brasil vai subordinar seu futuro com políticas
de livre comércio ou se o fará em processos de integração
regional. Isso faz uma diferença fundamental para o futuro
do Brasil e da América Latina. Adotar o livre comércio
é abrir definitivamente a economia do país para
os grandes monopólios internacionais – norte-americanos
em particular -, é renunciar a definir qualquer forma de
regulamentação interna – de meio ambiente,
de moeda, de política de cotas, etc. É condenar
o Brasil definitivamente à centralidade das políticas
de mercado, com a perpetuação das desigualdades
que fazem do nosso o país mais injusto do mundo.
O que está em jogo no segundo turno então é
se teremos um país menos injusto ou mais injusto, se teremos
um país mais soberano ou mais subordinado, se teremos um
país mais democrático ou menos democrático,
se teremos um país ou se nos tornaremos definitivamente
em um mercado especulativo e nos consolidaremos como um país
conservador dirigido pelas elites oligárquicas (como um
mistura de Daslu mais Opus Dei). Se seremos um país, uma
sociedade, uma nação – democrático
e soberanos - ou se seremos reduzidos a uma bolsa de valores,
a um shopping center cercado de miséria por todos os lados.
Tudo isto está em jogo no segundo turno. Diante disso ninguém
pode ser neutro, ninguém pode ser eqüidistante, ninguém
pode ser indiferente.
Postado por Emir Sader às 13:05.
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