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O
dossiê do dossiê 2 – a missão
Reproduzimos hoje texto de Flávio Aguiar publicado no site
da Agência Carta Maior (www.agenciacartamaior.com.br),
em 05/10/2006.
Flavio
Koutzii
Meu
amigo Saul Leblon, que continua com sua antena parabólica
ligada, me enviou mais uma carta desde sua estação
na Moóca. "Há indícios cada vez maiores
de que o dito Núcleo de Inteligência do PT protagonizou
um enredo do qual não foi autor principal", escreveu
ele.
Meu amigo Saul Leblon, que continua com sua antena parabólica
ligada, me enviou mais uma carta desde sua estação
na Moóca. "Há indícios cada vez maiores
de que o dito Núcleo de Inteligência do PT protagonizou
um enredo do qual não foi autor principal", disse
ele.
"Meu caro Flávio,
O caso evolui, há indícios cada vez maiores de que
o dito Núcleo de Inteligência do PT, também
conhecido como Comitê Central da Burrice, protagonizou um
enredo do qual
não foi autor principal.
Vejamos:
Informações circulantes na imprensa, mas logo rapidamente
esquecidas, ao contrário dos graficozinhos ou graficozões
com flechinhas juntando e apontando os envolvidos petistas na
história do dossiê, o delegado Edmilson Pereira Bruno
protagonizou cenas de valor histriônico. Depois de negar
que tivesse sido o autor das fotos; depois de negar que as tivesse
distribuído; depois de negar que tenha dito "quero
(*****) com o Lula e o PT "; o trepidante delegado admitiu
que, sim, fez a panfletagem das imagens, porém, movido
por lógica preventiva: como um dos CDs teria sido roubado
de sua mesa, resolveu se antecipar à divulgação
para evitar "manipulações". O notável
nisso tudo, Flávio, é que essa pilha de declarações
contraditórias está sendo aceita como coisa corriqueira:
não há gritaria, não há investigações,
não há currículos vindo à tona!
Numa outra ponta, a conhecida Fence Consultoria, que fez a famosa
varreção no TSE que tanto alarido propiciou ao Ministro
Marco Aurélio Mello, de ilibada neutralidade política,
tem ampla circulação no Brasil e no Planalto Central.
Ela foi investigada como tendo feito o grampo ilegal que propiciou
à Polícia Federal invadir o escritório da
empresa Lunus, em 2002, descobrindo e fotografando à larga
uma pilha de dinheiro cuja exposição fritou a candidatura
de Roseana Sarney em favor da de José Serra. Numa manobra
até hoje inexplicável, as fotos foram parar em menos
de 24 horas na redação da Revista Época e
depois tiveram farta exibição no Jornal Nacional.
Reportagem da Revista Carta Capital nas bancas nos diz que essa
mesma Fence foi contratada para serviços de "contra-espionagem"
no ministério da Saúde, então ocupado por
José Serra, função que exerce até
hoje.
Mas o melhor, Flávio, ainda está por vir. Entre
a semana que antecedeu o primeiro turno e esta depois das apurações,
tivemos o caso sanfona de Freud Godoy.
Lembro
aqui que tão logo foi apontado como membro da Operação
Tabajara, Freud ligou para o Presidente e disse que, pelo menos
no que dizia respeito a ele, Lula podia dormir tranqüilo.
Mas ele foi conduzido a fotos escandalosas e a manchetes, além
de piadinhas, a maioria de imaginação indigente
e de um mau gosto deplorável, em toda a grande imprensa.
Na fim de semana anterior ao das eleições, o procurador
da República, Mário Lúcio Avelar, que também
atuou no caso Lunus/Rosena, pediu uma prisão cautelar dos
petistas envolvidos. O pedido antes fora negado, mas uma juíza
de plantão o concedeu. Para as manchetes, o nome principal
foi o de Freud Godoy. Agora, dias depois do primeiro turno, a
Polícia Federal diz que não conseguiu nada mesmo
contra ele, e que não o indiciaria em nenhum inquérito,
ou seja, o Presidente podia mesmo dormir tranqüilo quanto
a seu comportamento. O expedito e insistente promotor, diante
também do fato de que seu pedido fora novamente negado
por recurso em instância superior, foi logo dizendo que
se ele (o próprio pedido que ele mesmo fez!) não
tivesse sido revisto, ele mesmo pediria sua anulação!!!!
E a notícia da inocência do assessor da presidência
foi parar nos rodapés das páginas internas.
Mas de tudo isso, Flávio, ficou-me uma pergunta que não
quer calar, lembrando aquele filme sobre o JFK, em que a versão
apresentada como verdadeira suscita muitas dúvidas, mas
tem definitivamente o poder de esclarecer que as aparências,
assumidas pela versão oficial, estão mais longe
de serem verdadeiras.
Esses homens das investigações oficiais e atividades
afins são treinados para serem duros, para agüentarem
o que o cidadão comum não agüentaria. Lembra
daquele oficial que estava no carro que explodiu no estacionamento
do Rio Centro, quando morreu um sargento do exército. Está
certo: as circunstâncias eram outras, a ditadura ainda vigia,
a explosão devia ser atribuída à esquerda.
Mas o cara até hoje não falou nada sobre o que o
verdadeiramente aconteceu.
Agora, Flávio, olha o comportamento do nosso amigo Gedimar
Passos, ex-PF, aparentemente contratado para "autenticar"
a qualidade do material a ser comprado. Nossa, quase nem interrogado
fora, já saiu cantando em alto e bom som o nome de Freud,
confundindo-o ainda com o de Frodo, aquele simpático anãozinho
de O Senhor dos Anéis!!! E depois se calou, nada mais dizendo,
nem em acareações. Ou seja, a carapaça que
foi treinado a manter só se desarmou para piar o nome do
assessor que, segundo a própria PF, nada tinha ver com
a manzorca.
Flávio, aí tem coisa".
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