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DOIS
PESOS E DUAS MEDIDA
Pronunciamento do Deputado Flavio Koutzii, na Tribuna da Assembléia,
em 17 de outubro de 2006.
O
Deputado Raul Pont, no período do grande expediente apresentou
denúncia sobre o comportamento dos meios de comunicação,
bombardeando dia e noite quando o alvo é o PT e silenciando
quando as irregularidades são de outros. Trata-se de investigação
em curso sobre o desvio de dinheiro público na vizinha
Santa Catarina, envolvendo cifra superior à do "dossiê
Cuiabá".
O que o deputado Raul Pont fez, durante o grande expediente, foi
informar que houve um escândalo gigantesco, apurado pelas
autoridades competentes, na vizinha Santa Catarina, aonde se chega
facilmente pela BR-101, e aqui não se fala sobre isso.
Qual foi o tema central do discurso do deputado Raul Pont? S.
Exa. não inventou uma ficção sobre um ato
grave e pesado que envolve milhões e milhões de
reais em corrupção. O centro de sua fala, que é
também a minha, foi este: há dois pesos e duas medidas.
O deputado disse que o que está errado tem de ser absolutamente
investigado e condenado. Ninguém veio aqui tapar o sol
com a peneira.
Há um período eleitoral, e exatamente o que aconteceu?
Subi a esta tribuna e usei uma palavra pesada na política,
dizendo que, frente ao "dossiê Cuiabá",
iniciou-se uma dinâmica golpista. Romperam-se as regras
da eleição, e a imprensa nacional e as instituições
nacionais, com o Presidente do Tribunal Superior Eleitoral puxando
o bloco, resolveram fazer uma operação para desconstituir
uma vitória que parecia absolutamente consolidada. Eles
têm o direito político de fazê-lo, mas o método
que utilizam temos o direito político de julgar.
Para minha surpresa, encontrei um texto publicado ontem –
do Paulo Henrique Amorim, grande jornalista que foi da Globo e
hoje está em outra rede – que leva este título:
"O 1º golpe de estado já houve. E o 2º?"
Não fui eu, suspeito deputado do PT, que escrevi isso,
mas o Paulo Henrique Amorim, cronista político independente.
É disto que se trata: há dois pesos e duas medidas,
e é inequívoco o papel da grande imprensa nacional
e dos órgãos que fazem a cabeça do povo brasileiro
– a Rede Globo sobre todos. Já falei aqui do encanto
dos grandes – Pedro Bial, William Bonner e Fátima
Bernardes –, que falam para 80 milhões de pessoas.
Eles dão o tom, a insinuação, o conteúdo,
e é claro que qualquer um de nós sabe que, numa
sociedade multimídia e com essa capacidade de informação,
isso decide as coisas.
As questões do dossiê Cuiabá e do dinheiro
têm de ser investigadas, pois 700 ambulâncias são
do período do governo anterior. Mas esse assunto não
existe, é apenas escada para atacar o PT.
A unificação da grande mídia brasileira tem
como forma emblemática a capa da Folha de S.Paulo, que
deverá passar para a história, em que aparece a
foto do dinheiro na parte superior e, embaixo, a foto do Lula,
usando um capuz que lhe caía sobre os olhos, no comício
de São Bernardo. A montagem faz parecer que está
sendo levado preso!
Não somos inocentes. Os meios de comunicação
passam imagens, passam símbolos e tentam passar meta-mensagens,
quando não mensagens explícitas. Os dados divulgados
pelo Observatório da Imprensa, relativos à última
semana que antecedeu à eleição, mostram como
se comportaram os principais jornais brasileiros. A Lula, candidato,
foram dedicadas 227 matérias negativas, apenas 17 contra
Alckmin. Lula, Presidente, recebeu mais 31 reportagens negativas
e só 10 positivas. Com isto, foram 257 matérias
negativas no espaço de uma semana.
Os números – que não foram contabilizados
pelo deputado Raul Pont, mas pelo Observatório da Imprensa
conduzido por Alberto Dines, um dos mais independentes, qualificados
e experientes jornalistas do Brasil – mostram que é
cinco por um contra, nos melhores dias para nós.
Há regras e leis para equilibrar as oportunidades, tanto
nos debates quanto nos períodos do horário gratuito,
mas todos se fazem de loucos, como se não houvesse uma
campanha dentro da campanha, que é a campanha
da Globo, que é a campanha da Folha de S.Paulo, que é
campanha do Estadão (jornal O Estado de São Paulo),
que não se submetem a essas regras.
Ninguém veio dizer aqui que não aconteceu o que
aconteceu. Estamos dizendo, e parece que o povo brasileiro está
percebendo isso, que aconteceram muitas outras coisas.
A revista Carta Capital, traz reportagem do competente jornalista
Raimundo Rodrigues Pereira, uma matéria investigativa,
que mostra que esse delegado - militante da causa que ele quiser
- chamou quatro jornalistas e explicou o que queria quando da
entrega das fotos. Ele disse isto: "Tem de sair no ‘Jornal
Nacional’ desta noite".
Sobre o caso do caseiro, havia um tipo de avaliação.
Com relação ao delegado da Polícia Federal,
ninguém lembra o papel com o qual ele está jogando
desde dentro da instituição, por conta própria.
Ele pediu e exigiu que saísse no Jornal Nacional. Essa
conversa foi gravada, levada à direção de
jornalismo da Globo, onde se fizeram de loucos e omitiram da opinião
pública informações relevantes. A decisão
foi da alta cúpula da emissora. Se divulgasse o conteúdo
exato das duas informações, a Globo estaria mostrando
que o delegado queria usar a emissora para os claros fins políticos
que desejava e que a emissora tinha feito a sua parte. O que escancara
a parcialidade da rede Globo e sua influência nociva ao
processo eleitoral brasileiro.
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