| Jornal
Nacional: não é conosco
Reproduzimos hoje texto de Flávio Aguiar publicado no site
da Agência Carta Maior (www.agenciacartamaior.com.br),
em 18/10/2006.
Flavio
Koutzii
Cópia
em áudio e transcrição da conversa do delegado
Edmilson Bruno, da PF, com jornalistas da TV Globo, de O Globo,
da Folha e do Estadão comprova origem fraudulenta das fotos
do dinheiro do dossiê.
Flávio Aguiar – Carta Maior
De repente, a edição de 17 de outubro de 2006 do
Jornal Nacional da TV Globo, ficou obsoleta. Virou um Jornal de
Ontem.
Durante a tarde desse dia divulgou-se pela internet, a partir
do sítio de Paulo Henrique Amorim, a gravação
e a transcrição que registram a conversa do delegado
da PF Edmilson Bruno, com repórteres da TV Globo, da Folha
de S. Paulo, do Estadão e do jornal O Globo, quando ele
entregou o cd-rom com as fotos da pilha de dinheiro que os aqualoucos
petistas levaram ao Hotel Ibis, em São Paulo, para a compra
do dossiê Vedoin/Serra/Barjas.
A gravação prova a cumplicidade entre o delegado
e os jornalistas, na
intenção
de prejudicar o PT e a candidatura à reeleição
do Presidente Lula.
Resta
saber se esta cumplicidade foi apenas deles (difícil) ou
se partiu dos
seus
superiores (provável). Edmilson, como já era do
conhecimento público,
insiste
em que o conteúdo das fotos apareça no Jornal Nacional,
e não antes, para sustentar sua versão de que as
fotos foram surrupiadas de seu escritório, e os jornalistas
concordam.
Para jornalistas, é muito vergonhoso. A gravação
é contundente, pelo grau de subserviência que ela
revela, confundido com jornalismo. A história já
fora divulgada, a partir da reportagem de Bia Barbosa, aqui na
Carta Maior, sobre o clima de repressão que pairava nas
redações ao final do primeiro turno, depois pela
reportagem de Raimundo Pereira na Carta Capital, em blogs e páginas
pela Internet, e agora pela divulgação do sítio
de Amorim.
Mas tem mais. O sítio de Mino Carta, a partir do de Carta
Capital, afirma que a TV Globo orientou o delegado Edmilson Bruno
quanto à forma de divulgar seu material fotográfico.
Querendo evitar a acusação de 1989, Tralli, repórter
da Globo, orientou o delegado a não entregar as fotos apenas
à sua TV, mas a um conglomerado de repórteres, no
que foi atendido pelo prestimoso funcionário. A tentativa
de entregar as fotos exclusivamente à Globo se deu no dia
28; o convescote de repórteres se deu no dia 29.
Mas tudo isso passou em branco no Jornal Nacional de 17 de outubro.
Apesar do delegado insistir na gravação que as fotos
têm que sair no Jornal Nacional. Também passou em
branco na CPI dos Sanguessugas, ocupada em quebrar o sigilo bancário
e telefônico de Freud Godoy e de outros petistas, e só.
O Jornal Nacional rateou. Não tem, provavelmente, como
explicar a cumplicidade jornalística. A CPI e outros jornais
estão contra a parede. Ou se explicam, ou investigam o
delegado falastrão, ou assinam o atestado de parcialidade
e incompetência.
Enquanto isso, o programa e as inserções de Alckmin
dizem que o dossiê era "contra Alckmin", ou "para
prejudicar a sua candidatura". Cabe perguntar: quem mente?
Enquanto isso, Lula cresce nas pesquisas.
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