| Disputa
no RS pode trazer surpresa na reta final?
Reproduzimos hoje texto de Marco Aurélio Weissheimer publicado
no site da Agência Carta Maior (www.agenciacartamaior.com.br),
em 23/10/2006.
Flavio
Koutzii
Geraldo
Alckmin e Yeda Crusius lideram as pesquisas de intenção
de voto no Rio Grande do Sul. Lula e Alckmin estiveram no Estado
neste fim de semana em campanha e mereceram um tratamento diferecenciado
na mídia. Aparentemente, os tucanos não estão
precisando de nenhum tipo de ajuda adicional, mas há sinais
que preocupam suas candidaturas.
Marco Aurélio Weissheimer - Carta Maior
PORTO ALEGRE - Lula e Alckmin estiveram no Rio Grande do Sul,
sábado. Participaram de várias atividades de campanha
de suas candidaturas. A cobertura do jornal Zero Hora, nesta segunda,
foi a seguinte: Alckmin ganhou a manchete, uma entrevista exclusiva
cujo título é "Invasão cria insegurança
jurídica e atrapalha investimento e emprego" (entrevista
de mais de quatro páginas em um dia em que o jornal tem
um de seus maiores índices de leitura, senão o maior),
5 páginas de cobertura ao todo, 7 fotos.
Já
Lula ganhou uma pequena linha na capa chamando para uma entrevista
na próxima quinta-feira, menos de uma página de
cobertura (somando-se as notas dispersas por várias páginas)
e 3 fotos, sendo que, em uma delas, aparece ao lado de Alckmin.
Contando a capa, Zero Hora dedica 16 páginas à cobertura
das eleições. Das manchetes dessas páginas,
8 são favoráveis a Alckmin ou contra Lula. Além
disso, na página de opinião, há um artigo
do ex-senador Paulo Brossard contra a reeleição
e crítico ao governo Lula. A única matéria
negativa para os tucanos registra em tom sóbrio: "Abel
Pereira depõe hoje". Quando o alvo da investigação
da Polícia Federal é alguém ligado ao governo
federal o nome de Lula vai para o título da matéria:
"Ligações de assessor revelam que Lula sabia,
diz oposição".
Já o Correio do Povo optou por uma cobertura mais equilibrada
na distribuição de textos, fotos e manchetes de
capa. O destaque de capa é neutro: "Lula e Alckmin
elevam tom das críticas", com fotos dos dois candidatos
em tamanho igual. Foi com essa cobertura que os dois principais
jornais gaúchos abriram a semana final da campanha no Estado.
O privilégio dado a Alckmin na cobertura de Zero Hora contrasta
com o que as pesquisas dizem sobre o desempenho dos tucanos no
RS. Alckmin e Yeda Crusius lideram as pesquisas de intenções
de voto e, aparentemente, não estariam precisando de nenhum
tipo de ajuda adicional. Mas nem tudo é tranquilidade no
reduto tucano.
O fator PMDB
As
duas últimas pesquisas divulgadas no fim de semana apontaram
uma redução da vantagem de Yeda Crusius sobre Olívio
Dutra, mas a candidata tucana, segundo os institutos de pesquisa,
segue com uma vantagem considerável (que oscila entre 15
e 20 pontos; na semana passada era 30%). No levantamento do Correio
do Povo, Yeda tem 59,4% contra 40,8 de Olívio. Já
no Ibope, a tucana aparece com 62% e Olívio com 38%.
No entanto, nem tudo é tranqüilidade no lado da campanha
da coligação Rio Grande Afirmativo. "A luz
amarela acendeu no comitê de Yeda", escreveu nesta
segunda o jornalista Políbio Braga, que apóia a
candidatura da tucana.
Segundo ele, a pesquisa Correio do Povo mostrou que, nos últimos
dez dias, Yeda perdeu 7 pontos que acabaram indo todos para Olívio.
"O temor é que o viés de alta de Olívio
e o viés de baixa de Yeda acelerem-se", disse o jornalista.
Ele apontou dois fatores que poderiam empurrar a campanha para
esta direção: a divisão do PMDB no Estado
e o crescimento de Lula em todo o país. Além disso
a "a posição esquiva do governador Rigotto"
teria dividido o PMDB gaúcho no segundo turno.
Apesar do partido ter declarado apoio a Yeda, Rigotto declarou-se
neutro na disputa e nem ele nem nenhum de seus secretários
está participando da campanha da candidata. No PMDB gaúcho,
há amplos setores que consideraram o comportamento de Yeda
no primeiro turno como desleal. Ela apoio o governo Rigotto até
o início deste ano. Quando definiu sua candidatura, passou
a adotar um discurso de dura oposição. Agora, muitos
peemedebistas pensam em dar o troco, mesmo que isso implique em
votar no rival petista Olívio Dutra. Segundo Políbio
Braga, apenas 25% do PMDB gaúcho está, de fato,
apoiando a candidatura de Yeda.
Militância nas ruas
As
agendas dos dois candidatos presidenciais tiveram caráter
diferenciado. Lula participou de comícios e atos em Alvorada,
Canoas e Caxias do Sul, privilegiando o contato direto com a população
nas ruas. Já Alckmin participou de um comício no
Pepsi On Stage, uma casa de shows localizada perto do aeroporto
da capital.
No domingo, em Porto Alegre, as ruas ficaram coloridas com os
apoiadores das duas candidaturas. Reduto petista até a
derrota nas eleições municipais de 2004, Porto Alegre
voltou a ver uma cena que não via há muito tempo:
a militância e os simpatizantes da Frente Popular voltaram
a sair às ruas com a tradicional bandeira do PT gaúcho
(fundo vermelho e estrela amarela). Aparentemente, não
estão acreditando na vantagem que os institutos de pesquisa
estão dando para Yeda. Os próximos dias dirão
qual é a consistência desses números.
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