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AS
ESCOLHAS DE CADA UM
Pronunciamento na tribuna da Assembléia
Legislativa, em 25 de Outubro de 2006, em resposta ao Deputado
Ruy Pauletti (PSDB) que leu trechos de uma crônica de Arnaldo
Jabor, da Rede Globo.
Sem
o mesmo charme do Arnaldo Jabor, o deputado Ruy Pauletti vem à
tribuna para fazer uma leitura mas, se tivesse de responder por
cada adjetivo que leu, não foi S. Exa. quem escreveu o
texto, foi o Jabor.
Velho truque conhecido!
O Arnaldo Jabor tem esta liberdade que a Globo vem dando a si
própria de tentar destruir o processo democrático.
Estou falando de processo democrático!
No processo democrático, há eleições.
Nas eleições, o povo escolhe. Na escolha do povo,
está absolutamente claro que ele tem uma opinião
diferente daquela do eminente e ilustrado deputado. Os eleitores
sabem que nem o governo é psicopata, nem o governo é
mentiras, embora tenha havido mentiras.
Para o povo, o Bolsa Família é uma realidade extraordinária
na vida de quarenta milhões de pessoas. Se tivessem ouvido
o deputado Ruy Pauletti, descobririam que não estão
recebendo esses recursos, que viraram fumaça...Fala sério!!
Muitos pensam que a posição autônoma, independente
e de crescente avanço do nosso País na política
internacional é muito importante. Chega de estar de joelhos
para os Estados Unidos!
O deputado Ruy Pauletti pertence ao PSDB. O PSDB é o partido
do Fernando Henrique Cardoso. O Fernando Henrique Cardoso é
aquele que entregou o ouro do Brasil, a Vale do Rio Doce, as companhias
de energia elétrica, as companhias de comunicação,
a Embratel. Para eles, construir o País é destruir
a independência de suas empresas estratégicas.
Pelo amor de Deus! Isso é uma grande indecência,
na minha opinião.
Em cifras, deputado, estou falando de 100 bilhões de reais.
São 100 bilhões de reais de patrimônio público
vendido!
Mas V. Exa. está falando do quê?
Subi inúmeras vezes a esta tribuna reconhecendo coisas
pelas quais somos responsáveis. Mas isso não o autoriza
a dizer aqui o que quer, de qualquer jeito, envolvendo a todos.
Há milhares e milhares de petistas que são pessoas
íntegras e que, ao contrário de V. Exa., que escolheu
um partido de elite, escolheram o partido da dificuldade. Eram
perseguidos nas pequenas cidades, eram vistos como as ovelhas
vermelhas do PT. Ou não é verdade? Perdia-se o emprego
por crer nessa organização. Mas ajudamos a organizar
os sindicatos e as lutas sociais.
V. Exa. vai querer nos dizer que não nascemos, não
existimos e não fizemos um percurso? Um pouco de respeito!
Acuse-nos do que há para nos acusar – nunca lhe negaria
esse direito e essa legitimidade –, mas não venha
aqui como se todos fôssemos surdos, cegos e não tivéssemos
história, nem trajetória, nem escolha.
V. Exa. escolheu um caminho. Escolhi outro. Fui de esquerda toda
a vida. Aqui há um deputado que só é deputado
porque esteve lutando na terra, no chão, com todas as dificuldades.
Quando havia uma luta, estava na frente. Não se ofenda,
mas não me lembro de V. Exa. a não ser na defesa
do que interessa à elite.
Por favor! Divergências? Sim. Responsabilidades? Cada partido
assume as suas. Mas não venha aqui abusar absolutamente
de uma retórica que não é sua, mas do Arnaldo
Jabor.
Aqui não estamos na Globo. O Jabor não fala sozinho,
e V. Exa. também não.
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