26 de outubro de 2006   nº 53  


Nota Rápida de Conjuntura 15


Nesta reta final é bastante interessante este breve artigo do companheiro Tarso Genro, Ministro das Relações Institucionais do Governo Lula.

Flavio Koutzii

1. O segundo turno está cumprindo um papel muito importante no processo da consolidação democrática do país. A população fará a sua escolha conhecendo dois projetos claramente diferenciados. Será uma escolha feita com a consciência de que as concepções sobre a construção da Nação democrática devem passar por um duro debate eleitoral.

2. Por este motivo, a população tem percebido - com "estranha inteligência" ou "bossalidade", como dizem algumas vozes da grande mídia - o importante nexo entre as realizações do passado, os compromissos do presente e o que efetivamente cada candidato poderá construir (ou desconstruir) para o futuro do país.


3. O candidato Alckmin, mesmo na condição de opositor, encontra-se na defensiva política e em declínio. Desde o início desse segundo período eleitoral não consegue explicar basicamente estes pontos:

- Como uma organização criminosa sem precedentes na história do país, e sem qualquer paralelo nas demais regiões, prosperou no Estado mais rico da federação durante os 12 anos de Governo tucano?

- Como explicar a omissão completa do governo tucano relativa às máfias dos Sanguessugas e dos Vampiros?

- Como justificar as privatizações selvagens e obscuras, ocorridas tanto em nível nacional como em nível estadual?

- Como defender um projeto que sustenta aumentar investimentos e programas sociais (realizações do Governo Lula), mas que propõe cortes de R$ 60 bilhões num orçamento de R$ 55 bilhões de investimentos (entre União e empresas estatais);

4. O Presidente Lula, ao apresentar as realizações de seu governo e compará-las com as realizações tucanas, partiu para a ofensiva com clara ascensão eleitoral, em razão dos seguintes pontos:

- Barrou as privatizações e não aceita que o Estado seja um condomínio dos interesses do mercado;

- Ao admitir os erros no seu Governo, mostra o seu caráter republicano, comprovado pela sua efetiva atuação contra a corrupção sistêmica (esta, não combatida durante o Governo tucano);

- A opinião pública popular não mais se forma exclusivamente a partir dos conceitos emitidos pelos meios de comunicação tradicionais. A popularização da internet joga, hoje, um papel importante na emissão de opiniões e na troca de informações.


5. Dois temas são apresentados pela grande imprensa como grandes novidades e conseqüências das ações do Governo Lula:

- A divisão do país em classes sociais, que é uma obviedade estrutural da história brasileira, está combinada com uma brutal desigualdade de renda. O projeto político capaz de reduzir essa divisão é aquele que proponha políticas sociais fortes e uma distribuição justa da renda nacional, num ambiente de diálogo democrático; a alegação de que "Lula está dividindo o país" sonega o fato de que esta divisão está aparecendo porque está sendo combatida;

- Os tucanos estão questionando o ambiente de radicalização política, como se não tivessem qualquer responsabilidade por ele, depois de 14 meses de ataques frontais ao PT, como comunidade política, promovendo uma inculpação generalizada.


6. A proposta de um "terceiro turno", defendido por setores autoritários, é a face exposta de um projeto político que não se sente à vontade com a presença de todos os atores sociais na cena democrática. A sociedade está a lhes dizer que é bom que se acostumem.

(Tarso Genro - 24.out.06)


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