|
O grande jogo de
2006
Reproduzimos
texto de Flávio Aguiar, publicado no site www.agênciacartamaior.com.br,
em 21/12/2006.
Flavio Koutzii
EDEBATE
ABERTO
Seguindo
a tradição dos finais de ano, registrei alguns dos
melhores momentos de 2006 segundo a minha visão. Entusiasmado
com a vitória colorada sobre o poderoso Barcelona, usei
o formato dos lances de um jogo de futebol para entender a política
brasileira.
Apito inicial: O jogo da reeleição começa
emperrado. Ambos os
times-candidatos
parecem querer agradar a mesma torcida. O estádio fica
perplexo.
Defesa à gaúcha: Marco Aurélio Garcia, Tarso
Genro e Dilma Roussef
fecham
a entrada da área no Palácio do Planalto, limpando
a meia lua e
baixando
a bola no terreno.
Nas cabines de rádio: Os comentaristas à direita
se açulam, querendo
desqualificar
o jogo e o estádio inteiro, já que seu time não
parece
estar
indo muito bem. Não consegue evoluir em campo nem passar
para o
ataque.
Fim do primeiro tempo: Parece que o time da reeleição
vai definir o jogo ainda nos quarenta e cinco minutos iniciais.
Desespero no Direita
Foot-ball
Club. Seus jogadores e sua torcida estão dispostos a tudo.
Mão na bola na linha da área: Petistas se entusiasmam
com a perspectiva de um dossiê contra Serra e amealham grana
em hotel de S. Paulo, achando que ninguém ia notar a jogada.
Patrão da Área: O ministro Márcio Thomaz
Bastos enquadra a operação dossiê, construída
para flagrar os petistas com a grana e criar as
imagens
comprometedoras. A bola é desviada, mas a decisão
fica pro
segundo
tempo.
Flagrante Impedimento: Delegado Edmilson e órgãos
de imprensa lançam versão fajuta sobre o vazamento
das fotos do dinheiro que seria
empregado
na compra de suposto dossiê supostamente contra José
Serra, e centram de novo a bola para a grande área, mas
são flagrados por
milhares
de bandeirinhas atentos na internete. Além disso Carta
Maior e Carta Capital traçam o desenho da trama nas redações.
Virada de jogo: No segundo turno o presidente Lula se infiltra
pela meia esquerda e desarvora a defesa adversária. Aliás,
a defesa, o meio do
campo,
o ataque, os cartolas e tudo o mais.
Chutão para fora do estádio: Geraldo Alckmin, pra
impressionar a galera, veste jaqueta e boné com logotipos
de estatais. Parecia piloto de
Fórmula
1, mas não emplacou.
Assistência genial: Chico de Oliveira dá entrevista
para Carta Maior definindo as razões do apoio de esquerda
à reeleição de Lula no segundo turno.
Golaço: no segundo tempo, depois de um primeiro tempo chocho
e morno, o povo brasileiro vai às urnas, define a partida
e aplastra a trama da direita, reelegendo Lula.
Mas o jogo continua....
Jogo Perigoso: Ganha a eleição, o presidente Lula
flerta com políticos
de
direita para composições ministeriais. De quebra,
pisa na bola
dizendo
que quem tem 60 anos e é de esquerda tem problemas. A ver...
Cartolagem: derrotada dentro das quatro linhas, mídia conservadora
tenta redefinir o resultado impondo a pauta direitista vencida
como vencedora.
Gol contra: Mesa do Congresso, numa disputa pra saber quem vai
ser
titular,
aprova aumento absurdo de salários para os parlamentares.
A
torcida
vaia, vai se queixar ao bispo, que passa um pito nos jogadores
em
plena missa. Os juízes mandam repetir o jogada. Os jogadores
discutem entre si, suspendem o jogo e levam a bola pra casa.
Enquanto isso, no campo ao lado...
Gol de placa: o professor Antonio Candido cantando a Canção
de Siruiz no CD "Sons de Grande Sertão", que
acompanha a Revista do Instituto de Estudos Avançados da
USP com dossiê sobre o romance.
Flávio Aguiar é
editor-chefe da Carta Maior.
|