NOVOS
INVESTIMENTOS da GM SERÃO PAGOS COM DINHEIRO PÚBLICO
O
deputado Flavio Koutzii (PT) afirmou que a nova negociação
do Governo do Estado com a General Motors amplia os benefícios
fiscais à montadora e permite, inclusive, que a montadora
receba recursos que serão transferidos do pagamento do
ICMS de outras empresas.
"Pelo
acordo original, a GM não paga ICMS", observou.
"Pelo novo acordo, ele receberá dinheiro em vez
de pagar".
O Termo de Compromisso estabelece dois novos elementos incluídos
no acordo. Os fornecedores deixarão de recolher ICMS
nas vendas para a GM, devido ao mecanismo do diferimento, e
a GM passará a contar com créditos de ICMS recolhidos
em outros estados.
Segundo
Koutzii, a partir de uma projeção elaborada pela
Assessoria Técnica da bancada do PT, com estas operações
o estado poderá perder cerca de R$ 140 milhões
anuais. "Isto significa que em seis anos a GM terá
recebido de volta dos cofres públicos valor equivalente
ao anunciado investimento de US$ 240 milhões".
Para
chegar a este número, a assessoria projetou um cenário,
considerando um faturamento de GM de R$ 4 bilhões, relacionado
às vendas de 200 mil carros (o dobro do que é
produzido atualmente), ao preço de R$ 20 mil cada. No
hipótese de que 35% dos veículos (70 mil unidades)
fossem destinados à exportações, a montadora
teria um imposto a pagar de R$ 312 milhões, relativo
aos 12% sobre as vendas ao mercado interno, e créditos
R$ 308,16 milhões de ICMS pago pelos fornecedores. No
entanto, a GM beneficia-se do FUNDOPEM que, neste cenário,
chegaria a R$ 142 milhões.
Assim,
a GM, além não pagar ICMS, teria direito a créditos
no valor de R$ 138 milhões, que poderá utilizar
para abater dívidas ou até mesmo comercializar
com outras empresas.
Na
reunião conjunta das comissões de Finanças
e Planejamento e de Economia e Desenvolvimento, com a presença
dos secretários Luiz Roberto Ponte (SEDAI) e Paulo Michelucci(Fazenda),
Koutzii apresentou estas projeções e chamou a
atenção para a criação de um "banco
de créditos" colocado à disposição
da GM pela nova negociação. "A montadora
passará a contar com um investimento meramente fiscal
e não produtivo", afirmou.
Na
reunião, o secretário Michelucci contestou os
cálculos apresentados pelo deputado petista. Koutzii
respondeu: "O secretário limita a questão
a dois extremos: se a GM exportar tudo terá benefícios
da Lei Kandir. Se vender tudo no mercado interno, será
beneficiada pelo Fomentar da lei anterior. Nós dizemos
que a atual negociação combina os dois mecanismos,
permitindo que a empresa acumule os dois benefícios.
A isso, ele não respondeu".
Koutzii
estranhou que, na reunião com os deputados, os secretários
tentassem minimizar os mudanças ocorridas no contrato
inicial. "O Governo continua devendo respostas aos gaúchos.
Com base em que números foi feito o novo acordo? Quais
as projeções de efeitos positivos ou negativos
do acordo sobre as finanças públicas? Se é
difícil fazer projeções como alegaram os
secretários, em cima de quê foi elaborado o Termo
de Compromissos? Se não há grandes novidades por
que as negociações consumiram dez meses? Como
a GM investirá os 240 milhões de dólares
anunciados?".
Jornalista
responsável: Rafael Guimaraens